sábado, 6 de novembro de 2010

MILLÔR FERNANDES...FODA-SE...

Final de ano é sempre a mesma coisa... já perceberam????? Todo mundo correndo - de que... de quem e para onde... é relativo - mesmo quando se está tranqüilo é preciso dizer que está uma correria... Um stress (geralmente aquele maligno) contagioso!!!!!
As velhas tensões do mês de dezembro... Elas ocorrem para lembrar que você teve 365 dias para organizar, fazer e refazer muitas coisas... Tempo para realizar os sonhos e os objetivos daquela listinha de desejos que surge a cada 01 de janeiro. Aí, inevitavelmente, o final de um ciclo te leva a avaliar o quanto você foi realmente produtivo e eficaz quanto as suas idealizações; o que aprendeu, conquistou, amadureceu, mudou. É hora de ticar os itens e correr atrás do que ainda é possível... cheio de angústia. O pior é quando acontece de depara-se com alguns desejos que continuarão na espera, apesar dos seus esforços, e parece que nunca saíram de lá, da fila, sendo adiados para o ano seguinte e depois para o seguinte e assim por diante.... Putz...isso é frustrante!!!! Haja paciência ou persistência que dê conta....
 E além de tudo isso, somos ainda, levados a novas escolhas pois há um novo ciclo a caminho... O tempo não pára - Ah.... Cazuza!!!!!!!!.
É ou não é para ficar mais ansiosa, agitada, estressada??????
Num momento assim... preciso usar o lema que está  no texto do Millôr...não sei se todos vão apreciar...mas é perfeito para o momento....
                                         

                                      "Foda-se" por Millôr Fernandes


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda- se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!" O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "pra caralho"?


"Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?


No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco e nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" não o substituem. O "Nem fodendo!" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo: "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio. Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PHD porra nenhuma!" ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone', "chepone", "repone" e mais recentemente o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou seu correlato "Pu-ta-que-o-pa-riu!!!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima.


Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios. E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!" E sua derivação mais assaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".


Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!!!

Linda noite e ótimo findi...e espero que ninguém sinta-se ofendido....mas aqui nesse espaço
eu falo o que eu quero....se vc não gostou....tchau...
Bjs a vcs meus amigos queridos....Marcia....

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